Qual a importância da representatividade LGBTQ+ nos diversos canais de comunicação?
Esse é o mês do orgulho LGBTQ+
e não poderíamos deixar de falar sobre isso aqui no nosso blog.
Representatividade, segundo o
dicionário Aurélio, significa representar com efetividade e qualidade, o
segmento ou o grupo ao qual se faz representar. Quando uma pessoa homossexual
assiste a “Você nem imagina” ou “Moonlight: Sob a Luz do Luar” ela sente que
aquele também é seu discurso, também é sua vida. É claro que nem sempre vai ser
uma representatividade 100%, mas com certeza a afirmação dessa identidade no
mundo cinematográfico, na escrita, nas novelas, no jornalismo e em tantos
outros meios faz com que todos se sintam parte de algo, parte da sociedade. A
verdade é que, por mais duronas que as pessoas possam parecer, todas elas
querem sentir isso, esse pertencimento. E é pra isso que serve a
representatividade, pra trazer às minorias essa visibilidade que por muito
tempo lhes foi negada.
Hoje, tô aqui pra falar um pouco
sobre a representatividade LGBTQ+ nos veículos de comunicação e de como isso é importante.
Primeiramente vou falar de alguns filmes que mexeram muito mesmo comigo, tipo de me fazer chorar muito.
O primeiro filme que vou comentar
aqui (acreditem, tem uma lista enorme) é “Com Amor, Simon”. O filme é baseado
no livro de mesmo nome, escrito por Becky Albertalli, e conta a história de um
garoto, Simon Spier, no ensino médio que é homossexual, mas convive com o
segredo e não o conta a ninguém, e tudo se complica ainda mais quando ele se
apaixona por um garoto anônimo com quem troca e-mails.
O Simon é vivido nas telonas pelo
ator Nick Robinson e, particularmente, me emocionei muito com o filme do começo
ao fim. Durante o filme, realmente sentia que ele passou por situações muito
parecidas com as quais eu mesmo vivi, me vi no personagem e até hoje é gritante
o modo como a história dialoga comigo e como imagino que dialogue com outras
pessoas também. O filme tem 91% de aprovação dos críticos no Rotten Tomatoes e,
acredite, isso é muita coisa mesmo.
“Com seu calor, abertura,
simpatia e idealismo, Simon me conquistou”, diz o crítico Peter Bradshaw do famoso jornal britânico The Guardian. Realmente é um filme que conquista, você acompanha um pouco das
dificuldades dentro da adolescência de um garoto homossexual que não se assumiu
ainda, bem como as reações dentro da família, do círculo de
amigos e da escola após assumir-se. Sem contar as trivialidades na vida de todo jovem que
só complicam ainda mais a vida.
Vale lembrar um detalhe muito
importante do livro que é justamente o jogo que a autora faz, intercalando os
capítulos de narração com capítulos que são as trocas de e-mail entre Simon e o
garoto anônimo, Blue, trazendo dinamismo e verossimilhança incrível à obra. Sou
suspeito de falar, mas entra na minha listinha de livros e filmes favoritos sim,
inclusive tenho que organizar essas listas melhor.
A obra ainda rendeu um “Simonverse” que abrange histórias de outros personagens e uma continuação da história de nosso querido amigo homossexual.
Quando falamos de filmes de
representatividade LGBTQ+ não podemos deixar de comentar sobre o vencedor do Oscar
de Melhor filme em 2017: “Moonlight: sob a luz do luar”.
O garoto, o adolescente, o homem:
as três fases da vida de Chiron. Contudo desde o início ele sempre foi adulto,
desde criança. Carregando o fardo de ser homossexual, o fardo de sua mãe ser viciada
em drogas e praticamente esquecer-se de criá-lo, sofrer com o bullying dentro da escola, sofrer com os preconceitos da
sociedade e com a segregação socioespacial na cidade de Miami. Apenas alguns entre
tantos problemas na vida de um garoto, que encontra em um traficante de drogas
a figura de um pai, um pai carinhoso, que o acolhe, que o aconselha e o ama
sim, pelo menos é isso que senti quando vi o filme: amor. Juan (Mahershala Ali) e Teresa (Janelle
Monáe) “adotam”, metaforicamente, Chiron (Alex R. Hibbert) como filho e a gente sente o carinho verdadeiro que
essa família emana, mesmo tendo tudo para ser uma configuração familiar “improvável”.
E mesmo passando por tudo isso, no final de tudo, ele percebe que o amor sempre
esteve lá, ao lado dele.
A avaliação dele no Rotten Tomatoes
é de (pasmem) 98% pela crítica especializada. “Por fim, Moonlight é um cinema
que é vital e profundo. Se existe alguma maneira humanamente possível de
colocar esse filme na frente de seus olhos, você deve isso a você. Este filme é
o motivo pelo qual existem filmes”, critica Tim Bennan, vocalista da banda de celtic
punk Dropkick Murphys.
Esse filme é assumidamente perfeito, retratando discriminação, amor proibido, segregação. Tudo de uma forma suave e extremamente coerente, uma forma que te deixa extasiado. São duas horas de filme, as quais você quer entrar no filme e bater em determinados personagens e abraçar outros e dizer que tá tudo bem. É impossível assistir a esse filme e não se emocionar, sobretudo, não o amar. Parafraseando o provérbio, cada segundo de fala é prata e cada segundo de silêncio é ouro, tornando esse filme uma peça valiosíssima pro cinema atual.
Agora a gente vai pra sessão
livros, e começo com um dos que li recentemente e amo demais mesmo.
Ele conta a história de um garoto
bissexual, Tanner Scott, que se muda da California para Utah, em uma cidade em
que a maioria da população é mórmon, que são os membros da Igreja de Jesus
Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Esta possui um posicionamento bem
conservador, pautado nos costumes e na família tradicional, segundo descrito no
livro. Tanner se apaixona por Sebastian, que é filho do pastor da pacata cidade.
Vale lembrar, que pra viver nessa
cidade especialmente conservadora, Tanner teve que esconder sua bissexualidade
e esconder quem de fato era e encontra na aula de escrita criativa uma forma de
expressar-se e é lá que ele encontra com Sebastian, apaixonando-se por ele.
Aborda religião, identidade e
sexualidade, entrelaçando perfeitamente as aulas de escrita de Tanner, sua
paixão por Sebastian e os problemas surgidos quando os sentimentos de Sebastian
entram em conflito com o que a Igreja espera dele.
Acho que dialoga muito com quem é
LGBT+ e pratica alguma religião mais tradicional, como o catolicismo, a
religião evangélica ou a Igreja dos Santos dos Últimos Dias, por exemplo. Visto
que essas religiões são extremamente pautadas nas tradições e nos bons costumes.
No entanto, todo mundo necessita de algo em que acreditar e não se deve julgar alguém por
sua sexualidade (por nada na realidade né), mesmo que ela esteja buscando o melhor pra ela e o
desprendimento espiritual, que é a função de toda religião. Acreditar que você
pode ser a melhor versão de você mesmo, sabe?
“É uma leitura que faz você pensar em mil coisas, refletir sobre amor, sobre a vida em si e sobre o papel da religião nas coisas; acredito que seja legal fazer essa leitura com o senso crítico ligado. Eu posso dizer que as letrinhas todas nas páginas de Minha Versão de Você formam a palavra ‘amor’, porque olha, foi só isso o que pude sentir. Foi sublime. Tanto o tema, quanto o enredo e os personagens contribuíram, em conjunto com a escrita da Christina Lauren.”, diz Rafaela Rodrigues, estudante de Letras.
Esse livro conta a história de
vida do Noah, um homem transgênero. Na realidade, ele apareceu em outro livro
da autora, o “Poder Extra G”, que fala sobre representatividade de pessoas plus
size e sobre a gordofobia. “Poder Extra G” foi escrito bem na época em que seu
marido se descobria transgênero, sendo essa a inspiração para o personagem principal
de “Singular”.
Enquanto o noivo de Thati passou pelo momento de transição já adulto, Noah vive isso desde a infância. “Desde
pequeno, ele tem a sensação de que é diferente e que está em um corpo que não
condiz com sua mente”, diz Thati acerca do livro.
Tudo isso é mais do que representatividade,
é uma luta contra o preconceito, na destruição de estigmas dentro do comportamento
intolerante e tradicionalista. Isso é extremamente importante, visto que, atualmente,
o Brasil lidera o ranking mundial de assassinatos de transsexuais, transgêneros
e travestis, segundo a ONG europeia “Transgender Europe”.
Extremamente envolvente, você
simplesmente não consegue parar de ler. Autoaceitação e autodescoberta abordados
de uma forma suave e tranquila. Ainda fala sobre as amizades tóxicas, um
conceito que têm se disseminado muito ultimamente, bem como questões de empoderamento.
Basicamente, o livro mostra de forma precisa que todos são diferentes, que
todas as pessoas são singulares.
Agora vamos para um assunto meio triste, que é justamente a LGBTfobia. Na charge acima, temos os vários grupos que são contra esse movimento e tentam apagar a existência dele. "Em 2018, dados sobre denúncias relacionadas à comunidade LGBT por Unidades da Federeação evidenciava que o estado que mais contabilizou denúncias foi o de São Pualo, com 126 denúncias, seguido pelo Rio de Jnaeiro, 66 denúncias. Ao se observar, para fins comparativos, a taxa de denúnciais por 100 mil habitantes, nota-se que o estado que apresentoy o maior quantitativo de denúncias sobre crimes contra a população LGBT foi o da Paraíba, com uma taxa de 0,74 no ano de 2018, seguido pelo estado do Piauí, 0,50, e o de Goiás, 0,47", segundo o artigo de pesquisadoras da FGV.
A violência contra a comunidade LGBTQ+ é um problema extremamente difícil de ser sanado devido às bases religiosas que o Brasil têm, um país que vive às custas da intolerância, do desrespeito, da desigualdade. Esse é o Brasil. Felizmente, o movimento também têm crescido no Brasil e tomado mais visibilidade, principalmente com a representatividade de figuras públicas e artistas como a Pablo Vittar, Gloria Groove, Daniela Mercury, Maria Gadú, Romero Ferro, ANAVITÓRIA, Lulu Santos, Bruna Linzmeyer, Marco Vanini, dentre tantas outras personalidades. Detalhe, só coloquei alguns famosos brasileiros, ainda têm os do resto do mundo todinho.
Quando um bissexual lê um livro que conta a história de um bissexual, ele sente que aquilo também faz parte dele. Quando uma pessoa trans vê pessoas trans no mundo musical, ela percebe que não tem problema em ser quem é, que não tem nada de errado com ela. Quando um(a) homossexual assiste a um filme que tem um enredo baseado nisso, sente que não está sozinho, que existem pessoas com as quais contar. Basicamente a representaticidade LGBTQ+ é importante por mostrar que não existem limitações pra essas pessoas e que não devem levar em consideração o ódio disseminado contra esse grupo.
Existem muitos grupos de apoio a pessoas que foram agredidas, inclusive dentro de universidades. A FEG (Faculdade das Engenharias da UNESP de Guaratinguetá) conta com um desses grupos com um trabalho muito interessante que começa com ouvir e tentar ajudar da melhor forma possível a superar traumas que a discriminação pode deixar.
Nesse momento, o país vive uma crise social muito forte e parece que a cada dia que passa fica mais difícil fazer parte desse movimento, principalmente, devido àquele conceito de "moral e bons costumes". Contudo não podemos nos calar. Você deve postar na rede social seu corte de cabelo, seu relacionamento com a pessoa que você ama, postar as fotos com arco-íris. Não tem problema em mostrar que você tem orgulho de ser exatamente a pessoa incrível que você é! As outras pessoas que lutem pra te aceitar do seu lindo jeitinho de ser e de amar.
Encerro essa publicação com a foto de um casal incrível que ficou bem famoso recentemente. No último dia 12, no dia dos namorados, o repórter da Globo Erick Rianelli se declarou ao vivo para seu namorado, também repórter, Pedro Figueiredo. O peso disso é gigantesco sabe. Lembro que retuitei o vídeo e nos comentários eu vi muita coisa linda sabe? Mas também vi muito ódio, muito mesmo. A gente se sente machucado por que nos colocamos no lugar dessas pessoas, mas aí percebemos que não vale a pena e que essas pessoas que disseminam essas mensagens de raiva, de preconceito são passíveis de pena pela falta de amor e de empatia. O amor sempre prevalecerá, não importa o que digam.







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